Saber como funciona a aposentadoria no Brasil é uma tarefa complexa para a maioria dos brasileiros, com tantas condições, exceções e as regras de transição que surgem com a Reforma Previdenciária. Por isso, um dos maiores desafios ainda persiste: calcular a aposentadoria.
Para encontrar o valor do benefício a ser recebido no futuro – de forma estimada e com base nos critérios atuais – é preciso conhecer as diversas condições que definem o direito à aposentadoria e o valor do rendimento:
- O tempo de contribuição de INSS;
- O cálculo da média de salários de contribuição de acordo com a situação;
- As situações especiais que impactam no cálculo.
Todas essas condições precisam ser vistas à luz das legislações previdenciárias anterior e posterior à Reforma da Previdência, que alterou significativamente diversos pontos.
Então o que é preciso saber para calcular o valor a receber como aposentado da forma mais confiável? O que considerar para cada modalidade de aposentadoria?
Preparamos esse artigo para falar sobre como calcular o valor da aposentadoria e outros pontos necessários para planejar o futuro com mais tranquilidade.
Aposentadoria por Tempo de Contribuição
É a forma de aposentar mais conhecida pois baseia-a na quantidade de meses (não precisam ser consecutivos) que o trabalhador contribui para a previdência.
Não há exigência de idade.
Antes da Reforma, o homem poderia aposentar-se com 35 anos e a mulher com 30 anos de contribuição. Porém, a aposentadoria por tempo não existe mais a partir de 12/11/19.
Quem cumpriu os requisitos antes da Reforma, já possui o direito adquirido – se aposentará pelas regras anteriores, porém com aplicação do fator previdenciário.
Para quem já contribuía antes da Reforma e quer aposentar-se por tempo, existem regras de transição.
Regras de transição da Aposentadoria por Tempo
Se faltar mais de dois anos para aposentar por tempo, é preciso:
- Para os homens: 35 anos de contribuição, 61 de idade e mais 6 meses a cada ano a partir de 2020 até atingir 65 anos em 2027;
- Para as mulheres: 30 anos de contribuição, 56 de idade e mais 6 meses a cada ano a partir de 2020 até atingir 62 anos em 2031.
Se faltar até dois anos para aposentar por tempo, basta pagar um pedágio de 50% sobre o tempo que falta – por exemplo, contribuir por 27 meses caso ainda faltem 18 meses.
Como é o cálculo da Aposentadoria por Tempo?
Calcula-se 60% do valor encontrado na média aritmética de todos os salários de contribuição – o que piora o resultado, pois antes eram os 80% melhores salários – e acrescenta-se o percentual de 2% ao ano acima de 20 anos para homens e 15 anos para mulheres.
Aposentadoria por Idade
É a forma de aposentar que combina uma idade e um tempo de contribuição mínimos. Antes da Reforma, os homens poderiam aposentar por idade com 65 anos, as mulheres com 60 anos e ambos deveriam ter uma carência de contribuição de 15 anos (consecutivos ou não).
Com a Reforma, ficaram assim as regras de aposentadoria por idade:
- Para homens: 65 anos de idade e 20 anos de contribuição;
- Para mulheres: 62 anos de idade e 15 anos de contribuição.
Quem cumpriu os requisitos antes da Reforma, já possui o direito adquirido e se aposentará pelas regras anteriores, porém com aplicação do fator previdenciário.
Para quem já contribuía antes da Reforma e quer aposentar-se por idade, existem regras de transição.
Regras de transição da Aposentadoria por Idade
- Para os homens: 65 anos de idade e 20 anos de contribuição;
- Para as mulheres: 60 anos de idade, 15 anos de contribuição e mais 6 meses a cada ano a partir de 2020 até atingir 62 anos em 2023.
Como é o cálculo da Aposentadoria por Idade?
Calcula-se 60% do valor encontrado na média aritmética de todos os salários de contribuição – o que piora o resultado, pois antes eram os 80% melhores salários – e acrescenta-se o percentual de 2% ao ano acima de 20 anos para homens e 15 anos para mulheres.
Como você pode simular o valor da aposentadoria?
Colocar todas as variáveis que envolvem cada tipo de aposentadoria em um cálculo pode ser uma tarefa difícil e gerar insegurança quanto ao resultado pelo receio de deixar alguma informação de fora.
Como uma forma de simular a renda de aposentadoria com mais segurança, a partir de dados oficiais do seu histórico previdenciário, é usar o simulador de aposentadoria do site do INSS. É um recurso que está entre os vários disponíveis na página do beneficiário.
O sistema trará todas as opções de aposentadoria em duas formas:
- Direito adquirido antes da Reforma;
- Pleito após a Reforma (com regra de transição).
Mas atenção com o cálculo de aposentadoria do INSS!
Apesar de ser uma ótima ferramenta de análise da situação previdenciária, o simulador do INSS não considera alguns aspectos importantes:
- Possíveis ausências de informações;
- Uso de períodos de aposentadoria especial;
- Análise de opções de aposentar melhores.
Para uma análise completa das possibilidades e de valores de aposentadoria, o recomendado é buscar a consultoria de um advogado previdenciário pois ele usará softwares específicos para o uso o completo das informações disponíveis.
4 dicas para preparar-se para a aposentadoria da melhor forma!
O momento de aposentar-se pode ser sereno ou tenso. A diferença pode estar no planejamento ao longo da vida. Veja algumas dicas que ajudam a aposentar-se nas melhores condições.
1 – Acompanhe as notícias
Certamente a Reforma Previdenciária de 2019 não será a última; mudanças na forma de calcular a aposentadoria, nas regras de transição e nas regras para aposentar podem surgir a qualquer momento.
Acompanhe rotineiramente para saber das mudanças e tomar decisões no melhor momento. O blog da Monteiro e Abreu é um excelente canal para você se manter atualizado sobre seus direitos previdenciários.
2 – Não descarte nenhuma documentação
Na hora de dar entrada na aposentadoria, você pode ser surpreendido com um período de trabalho sem registro de contribuições no sistema do INSS, o que pode reduzir o valor do benefício e até mesmo impedir você de aposentar-se.
Guarde todos os documentos que possam comprovar seus vínculos empregatícios [link para 013-008] e ajudem a rever a aposentadoria. Não descarte documento algum!
3 – Acompanhe regularmente o recolhimento das contribuições
Esse acompanhamento é fundamental para acionar (judicialmente, inclusive) um empregador ou ex-empregador sobre a falta de recolhimento de INSS e muito antes de aposentar-se, evitando uma surpresa desagradável no futuro.
O site do INSS dispõe do extrato previdenciário de cada trabalhador, que permite acompanhar os recolhimentos.
4 – Não planeje o seu futuro financeiro apenas com a aposentadoria
O Brasil é um país onde a maioria dos trabalhadores é quase totalmente dependente do valor da aposentadoria no futuro. Porém, novas reformas previdenciárias poderão exigir mais tempo para aposentar ou definirão cálculos para benefícios menores.
Planeje-se desde já para que a renda da aposentadoria seja a principal mas não a única – e quem sabe ser complementar. Um plano de previdência privada ou uma atividade profissional autônoma são opções para ajudar em uma vida de aposentado mais segura e tranquila.
Quer conhecer mais a fundo as opções de cálculo de aposentadoria e planejar-se em datas onde cada uma delas pode ser vantajosa? Tem dúvidas sobre o extrato de contribuições ou o ex-empregador não recolheu o INSS?
Nesse momento, a parceria de um advogado especializado em aposentadoria da Monteiro e Abreu é essencial para você entender todos os detalhes e buscar os seus direitos da forma mais simples e rápida.
Este artigo não substitui consulta jurídica individualizada. Leis, entendimentos e circunstâncias podem mudar ou exigir análise específica.




